CEPFS participa do Workshop Criação de uma plataforma tecnológica para o desenvolvimento econômico sustentável do semi-árido Brasileiro: barreiras, soluções e oportunidades, promovido pelo Centro Clima da Universidade Federal do Rio de Janeiro e SouthSouthNorth (Sulsulnorte) .

O Centro de Educação Popular e Formação Social – CEPFS, através de um membro da sua equipe executiva participou, no período de 25 a 26 de novembro, na cidade de Salvador-BA, do Workshop Criação de uma plataforma tecnológica para o desenvolvimento econômico sustentável do semi-árido Brasileiro: barreiras, soluções e oportunidades. O evento teve como objetivo identificar barreiras e possíveis soluções para o desenvolvimento de uma plataforma tecnológica, incluindo estratégia de capacitação técnica adequada para a realidade do semi-árido nordestino.

O Workshop reuniu organizações, que tem experiência consolidada, no desenvolvimento de projetos de captação de água e agricultura no semi-árido nordestino. No primeiro dia do evento, as organizações tiveram a oportunidade de apresentar sua experiência, sendo que o tema principal, de cada apresentação, teria que estar relacionado com o propósito do Workshop. Ainda no primeiro dia, os participantes foram divididos em grupos, para que a partir das experiências apresentadas, pudessem refletir e elaborar possíveis propostas sobre os seguintes temas, pré-estabelecidos: Capacitação e suporte técnico; Ajuste tecnológicos e Manejo dos recursos naturais (sementes – fertilizantes – poliprodução).

O segundo dia foi destinado para o lançamento do projeto Identificação e Multiplicação de Melhores Práticas de Adaptação as Mudança Climática no Brasil. Na parte inicial(manhã) foram feitas algumas apresentações sobre as perspectivas de adaptação e mitigação à mudança do clima e qual o papel das agencias de cooperação e da sociedade civil em projetos de adaptação e mitigação às mudanças climáticas no semi-árido brasileiro. Ainda na parte da manhã, foi apresentado o projeto Identificação e Multiplicação de Melhores Práticas de Adaptação as Mudança Climática no Brasil: objetivos, atividades, impactos e resultado esperado. Finalizando a parte matinal, foi apresentado o Projeto: Pintadas Solar: suas questões chaves, as lições aprendidas e os desafios existentes.

Como última atividade do Workshop, houve a premiação do projeto Pintadas Solar como um dos cinco vencedores do Prêmio SEED 2008. O referido projeto é desenvolvido no semi-árido baiano e consiste na implementação de sistemas de irrigação que permitem o uso eficiente de água e energia para expansão da agricultura de pequena escala, como fonte de geração de renda e segurança alimentar para a população local. O Prêmio SEED tem como objetivo identificar, promover e dá suporte a projetos inovadores que sejam desenvolvidos em parceria e tenham por objetivo melhorar a qualidade de vida, reduzir a pobreza e promover o manejo sustentável dos recursos naturais locais.

A avaliação que se faz é que a referida atividade foi uma oportunidade para compartilharmos abordagens inovadoras e empreendedoras para o desenvolvimento sustentável, criando ferramentas para uma ampla comunidade de empreendedores na área do meio ambiente além de suscitar subsídios para o planejamento de políticas públicas.

PRINCIPAIS TECNOLOGIAS SOCIAIS SUSTENTÁVEIS DESENVOLVIDAS NA ÁREA EXPERIMENTAL DO CEPFS

Bomba d´água aro trampolim

É uma inovação feita a partir da bomba d´água bola de gude usada nas cisternas do Programa de Mobilização e Formação para convivência com o Semi-árido 1 Milhão de cisternas rurais desenvolvido pela ASA Brasil. A bomba d´água aro trampolim foi testada em uma profundidade de até 6 metros e funcionou perfeitamente. Portanto pode ser usada, inclusive, para poços amazonas. Tem um custo em torno de R$ 340,00 (trezentos e quarenta reais), portanto, bem maior que a bomba bola de gude, que fica em torno de R$ 65,00 (Sessenta e cinco reais) entretanto, avalia-se que sua durabilidade compensa a diferença de custo. A bomba d´água aro trampolim facilita a retirada de água das cisternas, por parte das famílias, contribuindo, assim, para um bom manejo da água captada da chuva.

Reciclagem de água servida, uma estratégia para otimização do uso da água no semi-árido

Uma experiência implantada no ano de 2007, na área experimental, está voltada para o reuso da água servida, ou seja, permitir um segundo uso da água que é usada para tomar banho, para lavar as mãos, para lavar a louça, etc.

No monitoramento do sistema de reciclagem de água implantado na área experimental do CEPFS, foram auferidos dados durante 43 dias, nos meses de setembro e outubro 2007. Também se calculou a quantidade de descargas pelos banheiros da casa e a quantidade de água disponível no tanque de distribuição. Com a manipulação destes dados foi possível constatar que se pode reciclar numa casa, com um número médio de 06 pessoas, 166 litros de água por dia. Tomando em conta que um sistema de gotejamento de uma gota por segundo usa 4 litros de água por dia, se pode regar mais que 40 árvores por dia, com água reciclada, promovendo assim a otimização do uso da água como estratégia importantíssima para a região semi-árida.

Cisterna com sistema de bóia para lavagem do telhado

A experiência consta de uma pequena caixa, ao lado da cisterna, construída com a capacidade de armazenamento de água, de acordo com a necessidade de água para lavagem do telhado. A necessidade de água para lavagem de um telhado é de dois litros por M2. A caixa pequena é totalmente fechada e tem um suspiro em cima para ir saindo o ar na medida em que for enchendo. Na parte de baixo tem um registro de passagem para possibilitar, após cada chuva, ser dada a descarga da água armazenada. No entroncamento da bica é colocado um T, na decida, de modo que uma parte do T seja direcionada para a pequena caixa e a outra para a cisterna. Na parte do T que desce para a caixa pequena é colocada uma garrafa PET de dois litros, cortada numa certa altura. No cano que desce para a pequena caixa é colocada uma garrafa PET, de um litro, fechada. Na parte de baixo do cano há um joelho que dá direção ao cano que vai para a pequena caixa, de modo que a garrafa PET de um litro fica no pé do cano, na parte do joelho. Quando a caixa pequena enche, com a água resultante da lavagem do telhado a garra PET de um litro sobe e, encontrando-se com a parte da garrafa de dois litros veda a direção do T para a pequena caixa, permitindo, que a água, totalmente limpa, a partir de então tome a direção da cisterna. A água da pequena caixa deve, após toda e qualquer chuva, ser feita a descarga para que a garra de um litro volte para o seu lugar e o sistema possa funcionar bem na próxima chuva. A água da descarga pode servir para regar plantas, para colocar na descarga dos banheiros, etc. Já a água da cisterna vai ter outra qualidade, do ponto de vista de potabilidade, pois, todas as primeiras águas de todas as chuvas serão destinadas à lavagem do telhado. Com este sistema a família pode manejar bem a captação e armazenamento de água de chuva, conseguindo qualidade para a água de beber e, ao mesmo tempo, não desperdiçando a água que lava o telhado, podendo armazená-la com o objetivo de usar em outras necessidades que não requer água de primeira qualidade. Entende-se que inovações dessa natureza podem ser fundamentais, sobretudo, na atual conjuntura onde o meio ambiente começa a exigir um novo comportamento em relação ao uso sustentável dos recursos naturais. Nesse novo cenário, as famílias rurais precisam de ferramentas, apropriadas, que permitam a otimização do uso dos recursos naturais, tirando deles o máximo para o atendimento de suas necessidades, de forma sustentável.

Barramento de água de chuva em estrada e armazenamento em cisterna de placa

A experiência consiste em aproveitar a parte lateral das estradas, sobretudo, em locais com declínio e valas, colocar manilhas canalizando para uma caixa com brita para promover um processo inicial de decantação das sujeiras trazidas pela água, canalizando em seguida para uma caixa média, objetivando um segundo processo de decantação e, em seguida, para uma cisterna onde será armazenada a água. A água barrada e armazenada tem como objetivo, no período crítico de falta de chuva, quando a cultura começa a apresentar sinais de intolerância à falta de água, promover a irrigação de salvação, permitindo à cultura explorada condições para aguardar a próxima chuva. Dependendo da cultura, a irrigação poderá ser feita por aspersor ou por gotejamento, aproveitando garrafas de polietileno.

CAPTAÇÃO DE ÁGUA DE CHUVA EM LAJEDO DE PEDRA E ARMAZENAMENTO EM CISTERNA DE PLACA – UMA ALTERNATIVA PARA EVITAR A EVAPORAÇÃO

A experiência propõe que, ao invés de provocar uma fenda na pedra, escavando assim um tanque, seja feito um estudo da pedra ou lajedo no sentido de otimizar a área em termos de captação de água da chuva e canalizá-la para o armazenamento em cisternas, processo esse que irá diminuir significativamente o volume de evaporação, haja visto que a água não ficará exposta ao vento e à insolação. A água captada na pedra e armazenada nas cisternas, após um processo de tratamento, assume a condição de água potável, de excelente qualidade para o consumo humano. Também pode ser usada para outros gastos domésticos, para o consumo animal ou para irrigações de salvação.

O CEPFS implanta mais uma tecnologias social, sustentável, em sua área experimental


Está em fase de instalação, na área experimental do CEPFS, na comunidade Riacho das Moças, no município de Maturéia, Estado da Paraíba, mais uma tecnologia social sustentável. Trata-se de um biodigestor para produção de gás, a partir do esterco de animais. Com o biodigestor é possível extrair o gás das fezes dos animais e, os dejetos sólidos poderão ser usados como adubo orgânico e a parte da água como Biofertilizante. A iniciativa está sendo implantada através do projeto: “Difusão de tecnologias sociais sustentáveis para a segurança hídrica no semi-árido”, projeto este que conta com o apoio da BrazilFoundation.

Páginas: Anterior 1 2 ... 103 104 105 106 107 108 Próximo